segunda-feira, 12 de julho de 2010

Trabalhar demais engorda Como equilibrar sucesso na carreira e saúde?

Uma moça que conheci nos tempos de estudante aparecia na foto da capa segurando um trofeu numa cerimônia de premiação. Ela carregava nas mãos o símbolo de uma conquista profissional importante, a confirmação de que ela era muito boa no que fazia. Mas não pude deixar de notar o quanto ela estava gorda. Bem mais do que quando ela estava só aprendendo. Pensei: será que vale a pena jogar todas as energias na carreira e nenhuma na saúde?

A história parece ser bastante comum nos dias de hoje. O cidadão um dia percebe que passou os últimos meses, ou os últimos anos, com a cabeça tão enfiada nas exigências do trabalho, tão atribulado com uma rotina ensandecida de obrigações e urgências, que esqueceu que tinha também um corpo para cuidar e acabou perdendo o controle da balança. Há quem acumule riquezas na mesma medida em que acumula gordura nas artérias, até infartar aos 50 ou até aos 40 anos e só aí se dar conta de que deveria ter se cuidado mais. Vale a pena?

Na semana passada, ouvi histórias de duas meninas bonitas que começaram a carreira abrindo mão do autocuidado, mas logo resolveram reverter o processo. Pelo que observo, são profissionais apaixonadas pelo que fazem, dedicadíssimas e jovens. Têm aquela vontade enorme de fazer acontecer, de crescer na carreira e chegar “lá”, sendo esse “lá” provavelmente algum lugar imaginado de prestígio e conforto financeiro que elas creem ser o provável destino de quem trabalha bem e bastante. E, por enquanto, parece que estão acertando. Já conquistaram elogios, bolsas de estudos, prêmios. E, felizmente em tempo, perceberam que essa jornada será melhor para elas se não descuidarem da máquina.

Lúcia* engordou dez quilos no primeiro ano de estágio. Seus dias eram uma loucura. Saía cedo de casa, ia de ônibus até a faculdade, um tanto longe de onde mora. À tarde ia de ônibus para o estágio, onde almoçava, e à noite, depois da cansativa viagem de volta para casa, tinha de dar conta dos trabalhos do curso. Não tinha tempo para comer direito, nem descansava muito. Era bastante ansiosa. Frequentemente atacava doces e comidas gordurosas em quantidades inadequadas. As roupas antigas não serviam mais.

Mais ou menos na mesma época, Beatriz* aprendia que, em alguns empregos, trabalhar direito podia significar deixar a boa forma para o último lugar. Enquanto procurava mostrar serviço numa área em que era pouco experiente, engordou cinco quilos. Não era o que estava procurando e algum tempo depois conseguiu mudar de emprego.

Lúcia acordou para o que estava deixando acontecer com seu corpo durante um período de férias. “Não sou isto”, disse a si mesma. E decidiu se cuidar. Procurou um médico que propôs um tratamento baseado na reeducação alimentar. Ela seguiu a orientação à risca e começou a perder peso. Animada com a conquista, começou a fazer exercícios todos os dias. Hoje Lúcia está esbelta e desfila roupas novas que lhe caem muito bem. Diz que come bem menos do que antes e se sente satisfeita. A ansiedade diminuiu visivelmente.

Beatriz lamenta os quilos que ganhou no emprego anterior e ainda não conseguiu voltar ao peso desejado, mas parou de engordar. Tanto ela quanto Lúcia continuam gostando de trabalhar da melhor forma possível, e colhem os frutos dessa dedicação. E elas trabalham sentadas. Mas já estão mais atentas às consequências de não compensar a dedicação à carreira com uma bela dedicação ao que o corpo pede: nutrientes, água e movimento.

Que bom que elas não demoraram muito a interromper a decadência do corpo. Deixar o problema aumentar dificultaria bastante a solução no futuro. Lúcia ouviu do seu médico que, se ela mantivesse aquele peso e, dali a alguns anos, engravidasse, dificilmente conseguiria emagrecer. Aumentariam suas chances de ficar gordas para sempre.

Será que dá para ser uma profissional incrível, com direito a prêmios e promoções, comendo direito, dormindo bem e fazendo exercícios pelo menos três vezes por semana?

No último mês, ouvi e li especialistas em gestão de carreira e administração do tempo e profissionais de saúde. Todos eles dizem que conciliar sucesso na carreira e saúde é uma questão de traçar metas, estabelecer prioridades e reservar um tempo adequado para as coisas mais importantes. Nem o trabalho nem a saúde podem ser deixados para depois.

Há quem cite aquela história da galinha dos ovos de ouro. A galinha especial produz riqueza enquanto está viva. Se a galinha adoece ou morre, adeus, ovos. A moral da história é que, se a gente foca só em alcançar as metas profissionais e financeiras, deixando a saúde de lado, vai haver uma conta a ser paga mais tarde.

O economista Eduardo Giannetti, em seu livro O Valor do Amanhã (Companhia das Letras, 2005), sugere que a gente encare a saúde mais ou menos como o orçamento doméstico. Pensando no orçamento doméstico, pode-se optar por guardar dinheiro durante um tempo e lá na frente comprar um carro à vista, arcando com o ônus de ficar sem carro durante o período de poupança. Ou pode-se optar por comprar e usar o carro agora, adquirindo uma dívida que inclui o pagamento de juros altos desde agora até quando o carro já estiver gasto.

Com a saúde, segundo Giannetti, a decisão é parecida. Pode-se optar por poupar o corpo, guardando saúde para a velhice. A poupança do corpo é o acúmulo de saúde, que a gente procura conseguir por meio de hábitos saudáveis (comer direito, dormir direito, fazer exercícios, ter lazer e relacionamentos satisfatórios). Com isso, espera-se ter saúde para desfrutar daqui a algum tempo. Mas pode-se optar, ao contrário, por gastar a saúde agora e pagar a conta depois. É o caso do cidadão que, enquanto jovem, trabalha demais, come mal, dorme pouco, bebe muito, fuma e é sedentário. O tamanho da conta que virá depois é que é a surpresa.

Há que se considerar também que, quando a gente decide interromper o trabalho e calçar o tênis para se exercitar, está deixando trabalho para depois. Isso pode ser ruim, se o trabalho adiado é importante. E pode ser bom, se o mais importante já foi feito.

E para você, o que é mais importante? Dar tudo de si no trabalho hoje para desfrutar de tempo livre no futuro ou poupar saúde agora e conquistar sucessos e dinheiro aos poucos?

"Iniciativa e Acabativa" é preciso!



Isto é um teste de personalidade que poderá alterar a sua vida. Portanto, preste muita atenção.


Iniciativa é a capacidade que todos nós temos de criar, iniciar projetos e conceber novas idéias. Algumas pessoas têm muita iniciativa e outras têm pouca.


Acabativa, é um neologismo que significa a capacidade que algumas pessoas possuem de terminar aquilo que iniciaram ou concluir o que outros começaram. É a capacidade de colocar em prática uma idéia e levá-la até o fim.


Os seres humanos podem ser divididos em três grupos, dependendo do grau de iniciativa e acabativa de cada um: os empreendedores, os iniciativos e os acabativos - sem contar os burocratas.


* Empreendedores são aqueles que têm iniciativa e acabativa. Um seleto grupo que não se contenta em ficar na idéia e vai a campo implantá-la.


* Iniciativos são criativos, têm mil idéias, mas abominam a rotina necessária para colocá-las em prática. São filósofos, cientistas, professores, intelectuais e a maioria dos economistas. São famosas as histórias de economistas que nunca assinaram uma promissória. Acabativa é o ponto fraco desse grupo.



* Acabativos são aqueles que gostam de implantar projetos. Sua atenção vai mais para o detalhe do que para a teoria. Não se preocupam com o imenso tédio da repetição do dia-a-dia e não desanimam com as inúmeras frustrações da implantação. Nesse grupo está a maioria dos executivos, empresários, administradores e engenheiros.


Essa classificação explica muitas das contradições do mundo moderno.


Empresários descobrem rapidamente que ficar implantando suas próprias idéias é coisa de empreendedor egoísta. Limita o crescimento. Existem mais pessoas com excelentes idéias do que pessoas capazes de implantá-las. É por isso que empresários ficam ricos e intelectuais, professores - entre os quais me incluo - morrem pobres.


Se Bill Gates tivesse se restringido a implantar suas próprias idéias teria parado no Visual Basic. Ele fez fortuna porque foi hábil em implantar as idéias dos outros - dizem as más línguas que até copiou algumas.


Essa classificação explica porque intelectual normalmente odeia empresário, e vice-versa. Há uma enorme injustiça na medida em que os lucros fluem para quem implantou uma idéia, e não para quem a teve. Uma idéia somente no papel é letra morta, inútil para a sociedade como um todo.


Um dos problemas do Brasil é justamente a eterna predominância, em cargos de ministérios, de professores brilhantes e com iniciativa, mas com pouca ou nenhuma acabativa. Para o Brasil começar a dar certo, precisamos procurar valorizar mais os brasileiros com a capacidade de implantar nossas idéias. Tendemos a encarar o acabativo, o administrador, o executivo, o empresário como sendo parte do problema, quando na realidade eles são parte da solução.


Iniciativo almeja ser famoso, acabativo quer ser útil.


Mas a verdade é que a maioria dos intelectuais e iniciativos não tem o estômago para devotar uma vida inteira para fazer dia após dia, digamos bicicletas. O iniciativo vive mudando, testando, procurando coisas novas, e acaba tendo uma vida muito mais rica, mesmo que seja menos rentável.


Por isso, a esquerda intelectual e a direita neoliberal conviverão as turras, quando deveriam unir-se.


Se você tem iniciativa mas não tem acabativa, faça correndo um curso de administração ou tenha como sócio um acabativo. Há um ditado chinês, "Quem sabe e não faz, no fundo, não sabe" - muito apropriado para os dias de hoje.


Se você tem acabativa mas não tem iniciativa, faça um curso de criatividade, estude um pouco de teoria. Empresário que se vangloria de nunca ter estudado não serve de modelo. No fundo, a esquerda precisa da acabativa da direita, e a direita precisa das iniciativas da esquerda. Finalmente, se você não tem iniciativa nem tampouco acabativa, só podemos lhe dizer uma coisa: meus pêsames."

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

O administrador do futuro......

Como se tornar um líder do século 21 (trecho)

Talento para lidar com pessoas. Disposição para encarar a complexidade. Espírito de equipe. Essas competências ganham o centro de uma transformação que vai forjar as novas lideranças e mudar as empresas. Você está preparado?

Por Alexandre Teixeira
Leia nesta página um trecho da reportagem de capa de Época NEGÓCIOS. O texto integral pode ser lido na edição de junho de 2010. Assinantes têm acesso à reportagem na íntegra, clicando aqui.

Paulo Varella

A julgar pelo que se diz no mundo dos negócios, uma revolução libertadora está a caminho. “Deem ordens ao seu chefe o quanto antes; experimentem fazer isso logo no início. Se ele for o tipo certo de chefe, nada o agradará mais; se não for, ele não é a pessoa certa com quem vocês devam ficar”, afirmou um dos maiores nomes da siderurgia mundial. “Todo esse falatório sobre supergênios é besteira. Descobri que quando as estrelas vão embora, raramente seus departamentos sofrem”, adicionou um de seus pares. “Um empregador está sempre procurando mentes questionadoras”, disse o herdeiro de um dos grandes impérios automobilísticos. Boas-vindas à Geração Y? Não exatamente. As três frases foram ditas, respectivamente, por Andrew Carnegie (1835-1919), Charles Schwab (1862-1939) e Henry Ford II (1917-1987), dois barões do aço da virada do século 19 para o 20 e o neto do criador do conceito de linha de montagem. Suas práticas empresariais nunca foram propriamente democráticas. Durante uma greve conflituosa em sua siderúrgica, em 1892, o mesmo Carnegie que conclamava funcionários a darem ordens aos chefes refugiou-se em sua Escócia natal e enviou 300 seguranças truculentos para dispersar os trabalhadores parados.

O discurso libertário criou mofo faz tempo nas bibliotecas corporativas, mas o modelo autoritário de liderança dá sinais reais de esgotamento e algo novo começa, finalmente, a ser erguido em seu lugar. “Em grande parte, sua empresa está sendo administrada, neste exato momento, por um pequeno grupo de teóricos e profissionais que já morreram há muito tempo e criaram as regras e convenções da gestão ‘moderna’ nos primeiros anos do século 20”, afirma Gary Hamel, um dos mais influentes pensadores dos negócios da atualidade, no prefácio de O Futuro da Administração. “Contudo, à diferença das leis da física, as leis da gestão não são nem predeterminadas nem eternas – ainda bem, pois o mecanismo de gestão está sobrecarregado com o peso de uma carga que não estava programado para carregar. Mudanças abruptas, vantagens fugazes, inovações tecnológicas, concorrentes indisciplinados, mercados fragmentados, clientes poderosos, acionistas rebeldes – esses desafios do século 21 estão pondo à prova os limites da estrutura das organizações em todo o mundo, e expondo as limitações do modelo de gestão que não conseguiu acompanhar os tempos”, escreveu Hamel.

Sacudidas de um torpor de décadas para uma recessão global, muitas companhias se deram conta de que, em um período crítico de suas histórias, estão sendo comandadas por líderes do século passado. Em uma pesquisa divulgada no mês passado, a IBM constatou que 79% de um grupo de mais de 1,5 mil CEOs de 60 países e 33 setores espera aumento da complexidade, mas apenas 49% sente-se preparado para enfrentá-lo. Entre as empresas americanas, 67% admitiram, em outro levantamento recente, que seus principais gestores precisam aprimorar habilidades de liderança, e 53% afirmaram sentir falta de competências como planejamento estratégico e habilidades de comunicação (veja quadro). Muitas das principais demandas reprimidas das companhias em relação a seus líderes, como motivar gestores e desenvolver funcionários, têm a ver com gestão de pessoas. Essa competência, antes negligenciada, está no centro de uma revolução que, segundo teóricos como Hamel, marcará o fim da era da liderança autoritária e o início de um ciclo competitivo centrado no capital humano.

Recém-saídas de um torpor de décadas para uma recessão global, muitas companhias se deram conta de que são comandadas por líderes do século passado. Entre as deficiências, as mais citadas têm relação com a gestão de pessoas

ATIVOS INTANGÍVEIS

O século 21 trouxe com ele uma mudança de paradigma no modo como se gerencia. A velha economia era centrada em custo. Sua equação definidora era: preço = custo + margem. A base para a criação de valor eram os ativos tangíveis, como dinheiro, instalações e produtos. O foco estava na produção. Ou seja, na oferta de mercadorias. Isso levava os executivos a olharem sobretudo para dentro de suas fábricas. Já a nova economia centra-se no cliente. A equação do momento é outra: valor = clientes + capital intelectual. Logo, a base para a criação de valor são os ativos intangíveis, como a capacidade de capturar a inteligência dos colaboradores e as necessidades dos clientes. O fator decisivo de sucesso é a geração de demanda. Dito de outro modo, não é a oferta que cria a demanda; é a demanda que induz a oferta. Não por acaso, a manufatura de produtos muitas vezes é terceirizada. É um mundo de fronteiras difusas, no qual os esforços conjuntos para inovar transformam em borrões os limites entre diferentes companhias. “Não sei onde acaba minha empresa e começa a do meu parceiro” é uma das frases definidoras desta era.

Naturalmente, essa mudança de paradigma traz um novo leque de competências exigidas dos líderes contemporâneos. Algumas delas formam uma pequena agenda do bem, como o compromisso com o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Não é por acaso que executivos acima do peso deram lugar a profissionais em forma, muitas vezes com físicos – e rotinas – de atleta. O cuidado com o corpo e com a mente passou a ser reverenciado. Quem diz não ter tempo para isso provavelmente não se preocupará com o bem-estar de seus liderados. Ou o compromisso com a sustentabilidade. O executivo cobiçado não é o ambientalista, mas aquele que consegue enxergar novas formas de fazer negócios, aproveitando as demandas ambientais e sociais contemporâneas. Além de “do bem”, o executivo do século 21 é um generalista. As empresas de ponta já se preocupam menos com a especialidade do executivo e mais com sua capacidade de liderança. Décadas em um mesmo setor são cada vez menos valorizadas.

No que diz respeito à formação, finanças é uma disciplina mais importante hoje do que foi no passado. Valoriza-se a percepção de riscos e oportunidades no mercado. Antes, o profissional financeiro era muito técnico. Agora, tem de ser estratégico. Justamente por isso, está ficando cada vez mais comum ver diretores financeiros promovidos a presidente (leia mais na página 102). “Não dá para vir do marketing ou da operação sem muito conhecimento de finanças e assumir a presidência”, afirma Alexandre Fialho, diretor do Hay Group, uma consultoria global de gestão. Esta é uma tendência que chegou antes da crise financeira. No Brasil, está relacionada à sofisticação e à maior penetração do mercado de capitais no mundo empresarial. “Quando os juros eram muito altos, qualquer aplicação dava resultado. Agora, é preciso saber o que se está fazendo”, diz Fialho.

Jim Kouzes e Barry Posner, autores do best-seller O Desafio da Liderança, realizaram recentemente uma pesquisa com milhares de profissionais dos mais variados níveis sobre as qualidades que desejam em seus líderes. O atributo visionário só perdeu para honesto. Foi selecionado por 72% dos respondentes. “Essa é a boa notícia”, afirmam Kouzes e Posner no ensaio que escreveram para o livro A Nova Organização do Futuro. “A má é que os líderes de hoje são péssimos nisso.” Isso acontece em parte porque os profissionais e as empresas são reféns do presente, pedalando incessantemente a bicicleta dos lucros trimestrais, o que os impede de parar, por alguns minutos que seja, para pensar além dos três meses que estão adiante. Isso não é novidade no mundo das companhias abertas, mas a maior complexidade dos problemas, as doses cavalares de incerteza e as jornadas de trabalho sem fim não facilitam a vida de quem tem a obrigação de ser visionário. Não é à toa que não existem muitos Steve Jobs por aí.

Criando o seu 1° blog

Como todo nagante de primeira viajem..
como usar a ferramenta blog? de modo correto e objetivo.